Olinda, capital temporária do design autoral brasileiro
Durante doze dias de julho, Olinda volta a concentrar os olhares do design nacional. Em sua 26ª edição, a Fenearte reuniu mais de cinco mil artesãos e criadores em torno de um tema que revela muito sobre o momento do design brasileiro: o couro.
Com o tema Seleiros de Pernambuco: Ofício que Transforma, a feira homenageia mestres como Zé Venceslau e Irineu do Mestre, reafirmando o couro como expressão de identidade e criação. Antes associado à resistência no sertão, o material ganha novas leituras nas mãos de designers contemporâneos, que preservam sua origem enquanto exploram formas, texturas e acabamentos atuais. A tradição deixa de ser memória para se tornar linguagem.
Essa aproximação entre artesanato e design percorre toda a mostra. No novo Salão Pernambuco Faz Design, móveis e objetos autorais dialogam naturalmente com a produção popular. Já no Espaço Janete Costa, arquitetura e artesanato reforçam uma tendência cada vez mais presente: peças feitas à mão deixam de ocupar um papel coadjuvante e passam a integrar o projeto desde a sua concepção.
A Fenearte 2026 reafirma uma mudança de olhar: o artesanato já não é um complemento decorativo, mas parte da arquitetura contemporânea. Em um momento em que a sofisticação valoriza autoria, território e permanência, o feito à mão ocupa, definitivamente, o centro do projeto.


